Porque Sim

Quinta-feira, 02 de Outubro de 2008
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Hoje decidi falar das minhas sensações sobre ser mãe sem estar preparada para tal.

Como já escrevi num outro post atrás, casei já ía de barriguinha. Como também frisei, não me sentia nem de perto nem de longe preparada para ser mãe.

Como na altura não trabalhava, o dinheiro era escasso (tal como hoje), nem sequer tinha conhecimento que tinha direito a ser vista por uma médica (o) do Estado.

De forma que a maior parte da minha gravidez, foi seguida ao sabor do vento, sem médico assistente. A minha mãe lá se informou e fui a uma consulta, estava tudo bem fiz uma ecografia estava tudo bem e fiquei a saber que iria ter uma menina. Depois disto e como não era uma gravidez de risco, foi o deixar andar.

Senti-me acarinhada pela minha mãe,  pelo meu irmão,pelos amigos (poucos) e já não foi mau.

Nesta fase, não podia falar do apoio do meu marido, pois pouco tive marido ou nada.

Colocaram-no a trabalhar em Mafra, transportes eram poucos, o dinheiro...enfim e o carinho do meu marido foi nulo e hoje penso que me fez falta.

Com mais ou menos dificuldade a Ana nasceu ás 15 e 15 de uma Sexta Feira 13.

A médica que a assistiu suspeitou de que alguma coisa não estaria bem com a perna esquerda, mas até aos cinco meses nada foi detectado.

Um dia ao mudar a fralda notámos que a perna não tinha reacção. Correrias para aqui, correrias para ali.

Estacionamos no Hospital de Alcoitão onde a Ana passou a ser seguida até aos treze anos, sendo que depois só pontualmente lá íamos.

Soubemos que 95 por cento das células da perna estavam mortas.

Até à alguns anos atrás não se sabia muito bem o que podia ter causado essa deficiencia, informaram-nos então que provavelmente a vacina da poliomielite poderia ter sido a causadora de tudo. Mas não foi uma vacina mal dada, supõe-se que devido à Ana ter tido muitas otites e estar sem defesas na altura em que levou a vacina o virus da polio atacou.

Durante todos esses anos em que tanto foi necessário, a coragem a perseverança  e a esperança de dias melhores nunca nos abandonou. Tantas operações pelo meio, tanto profissionalismo por parte dos médicos e enfermeiras, tantas lutas...tanto tudo.

A verdade é que foi o tempo de crescermos enquanto seres humanos . Criou-se entre todos um elo que só aqueles que passam por situações idênticas, sabem.

Para mim, foi a forma de saber que se não estava preparada para ser mãe, tinha ali a minha prova de fogo.

Com muitos erros à mistura, hoje tenho a capacidade de compreender o que vai para além da compreensão de alguns.

Como é óbvio o meu amor pela minha filha ía crescendo à medida que ela ultrapassava todos aqueles momentos que para alguns eram trágicos, para ela eram momentos de alegria "correndo" pelo corredores à procura de quem lhe arranjava umas botas especiais ou o aparelho que viria a ser a cura para a sua deficiencia.

Enquanto a maioria cresce e se regozija com o palrar, com as gracinhas, eu e a minha mãe, mais tarde o meu marido, fomos ficando felizes à medida que víamos como a coragem da Ana servia para enfrentar tantos espinhos.

Hoje tenho a certeza de que a minha coragem, a minha alegria e o meu grande exemplo de enfrentar tantos espinhos deve-se ao sorrido lindo e ás frases : " Mãe já consigo tirar o aparelho" " Mãe até que as minhas botas são bonitas".

Espero que nunca nenhuma de nós se deixe ir agora abaixo depois de termos atravessado  um caminho com tantos espinhos.

 

sinto-me: Coração palpitante
publicado por alzirota às 13:22

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