Porque Sim

Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008

Já não me recordo muito bem, com quantos anos comecei a vindimar, mas durante muitos anos, por altura da vindima, lá ia eu e uma carrada de rapazes e raparigas aproveitar as vindimas para fazer algum dinheiro, sempre se comprava mais uma roupa, ou então servia para comprar os livros para a escola, agora a escola começa mais cedo, não temos hipóteses de mandar os nossos filhos, vindimar.

Pode-se dizer que era um trabalho duro, mas também de muita brincadeira, e por muito que os capatazes ralhassem connosco porque só queriamos era brincar, a verdade é que não deixavamos de fazer o trabalho de alguns adultos e como se pode calcular, éramos o que se pode chamar mão de obra barata. E também não deixa de ser verdade, que se nós só queriamos brincadeira, também não deixa de ser verdade, que alguns adultos a seguir ao almoço já estavam com uma daquelas bebedeiras, que se não fossem as crianças...

Em relação à vindima, também tenho na minha memória a hora do almoço...sentávamo-nos debaixo dos pinheiros, pegavamos na "bucha" e toca a comer. Mas os homens do campo, esses, faziam a fogueira onde assavam o bacalhau, ou o toucinho, pegavam num naco de pão e comiam sempre regado com um bom tinto.

Também não deixa de ser verdade que foi no campo que nasceu um prato tradicional da nossa zona "O Torricado" o torricado é o pão assado na brasa, com sal e bem regado com azeite e ainda leva alho. Que prato ...é de comer e chorar por mais.

Enfim, estes tempos eram tempos de alguma privação, tinha que se apertar o cinto, mas a verdade é que por aquela altura, anos 70, principio de 80, o consumismo era uma palavra que não existia, portanto, desde o entretenimento ou à comida, era o estilo de " quem não tem câo caça com gato".

Na minha casa não sei quantas vezes a nossa comida não foi pombo ou borracho estufado, é que tinhamos mais de cem pombos e se havia crise de comida, zás lá ía pombo ou borracho.

E a propósito de pombo, tínhamos um que era a nossa mascote,aliás ele foi o causador de termos aqueles pombos todos, deu em criar de tal maneira que enfim... Também não usava preservativo...

Mas como estava a dizer tinhamos um pombo que se chamava Vicente, era uma loucura com ele, mas coitado, um belo dia quase o confundimos com outro e quase ía para o tacho.

Olho para trás e mais do que saudosismo, coisa que não me seduz nada, tenho de sorrir porque a vida era curtida sem pressas, sem stress. E de facto qualquer inovação era uma festa.

Agora somos confrontados, todos os dias, com campanhas de marketing sobre tudo e sobre nada.

E uma boa campanha de marketing faz vender imenso. Isto vem a propósito de um livro que têm vendido uma brutalidade e que se chama "O Segredo" , não percebo o que ele tem de mais. Pura e simplesmente não me diz nada. Tenho nas minhas mãos um livro do mesmo género de Joseph Murphy e que se chama "O Poder do Subconsciente" este livro foi publicado em 1983 pelo Círculo de Leitores, não sei se teve o sucesso do "Segredo", creio que não, mas para mim é bem mais interessante que "O Segredo". Coisas da Publicidade.

Mas já viram como as conversas são como as cerejas, comecei com a vindima e acabo com o livro "O Segredo". Pois é, hoje decidi, dar umas pinceladas nas ideias.

sinto-me: sem comentários
publicado por alzirota às 23:09

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